CAPÍTULO I

A CAUSA DA REPROVAÇÃO

Nunca se falou tanto em concursos públicos. O candidato pode pagar caro pela preparação, que envolve, além de gastos financeiros, a abdicação de horas de convívio familiar e social.

Com o intuito de evitar ao leitor o dissabor da reprovação, propus-me a escrever o presente texto, transmitindo a metodologia de ensino que desenvolvi por ocasião de minha preparação aos concursos da Procuradoria do Estado, Ministério Público e Magistratura, no Estado de São Paulo, onde acabei sendo aprovado entre os primeiros colocados. Não tanto pela minha capacidade e sim pela metodologia e senso de disciplina.

O mito de passar em concurso não está preso a verdades. Os que obtêm aprovação, amiúde, costumam fantasiar, e a realidade original, com o passar do tempo, pode se tornar alegórica. Às vezes, eles se arvoram na condição de superdotados, narrando aos simples mor tais um sucesso meteórico, esquecendo-se do esforço despendido, ou então ampliam o tamanho da estrada, pontificando-a com espinhos e pedregulhos intransponíveis, induzindo o ouvinte ao desânimo e à redução da autoestima.

Quanto aos reprovados, na busca de uma justificativa pelo fracasso, muitos atribuem o fato à falta de capacidade intelectual, outros acentuam a dificuldade financeira, e a consequente escassez de tempo para o estudo. Alguns ainda insistem em culpar os políticos pela desgraça pessoal, afirmando que as vagas disputadas não passam de “cartas marcadas”.

O fantasma da reprovação aos poucos reduz a força interna do candidato.

É aí que se concentra a principal causa da derrota.

O maior desafio do aspirante a uma carreira pública ou Exame da OAB consiste em dominar esse medo que o agrilhoa.

Assim, não é de surpreender a extensa taxa de desistência. Na verdade, no subconsciente, a maioria, em vez de insistir, acaba se preparando para abandonar o projeto de estudo, contentando-se com empregos menores ou acomodando-se no lar como simples donas de casa.

Sem dúvida, a escassez do tempo, o baixo nível intelectual e as “cartas marcadas” podem dificultar o acesso às portas de uma carreira pública, mas, conforme veremos, é possível driblar todos esses obstáculos. Aliás, hoje em dia, as fraudes são cada vez menores.

A seriedade tem tomado conta dos certames, e, nesse aspecto, o candidato já pode festejar.

O desempenho pífio, na verdade, deve ser atribuí do à falta de metodologia nos estudos.

Comprovadamente, a maioria dos aspirantes prepara-se sem critério pedagógico, à semelhança do doente que, em vez de procurar um médico, resolve enveredar-se pela pseudoperspicácia da automedicação.

CAPÍTULO II

OS PRIMEIROS PASSOS DO MÉTODO FMB

Vinte anos. Parece inacreditável, mas esse é o tempo em que Joaquina, o nome é fictício, se prepara para ingressar em alguma carreira jurídica. Desde a última vez em que a vi, ela ainda insistia na leitura direta dos livros sem nenhuma parada para a revisão das páginas lidas anteriormente, sempre avançando com a matéria rumo ao amargurado caminho do nada.

Tão natural é esse tipo de procedimento que, por isso, torna-se o primeiro ponto definitivo de mudança.

Eu mesmo, quando iniciei meus estudos, durante um mês devorei os livros, lendo-os sem parar, preocupado em avançar cada vez mais. Felizmente, porém, alguma luz me levou a refletir sobre essa metodologia. Fiz então o balanço da safra de conhecimento colhida e conclui que fora vítima de uma geada intelectual daquelas que não permite a colheita de fruto algum.

Na busca de um norte revolucionador dos meus estudos, passei a desenvolver a metodologia, num momento de singular inspiração. Fui a minha primeira “cobaia” e sete meses depois já estava aprovado no Concurso de Procurador de São Paulo, aos 22 anos.

Desde o início, ao começar a pensar sobre o método, cheguei a uma conclusão: a de estudar por textos de linguagem simples e apostar tudo na força da revisão.

Mas, de pronto, logo deparei com o primeiro obstáculo: a ausência de livros que reunissem simultaneamente a linguagem simples e o conteúdo profundo.

Iniciei, então, a preparação do material, que seria o objeto do estudo, efetuando o resumo das obras jurídicas de fôlego, mas, ao reler o que havia escrito, outra triste constatação: a linguagem continuava prolixa e o meu resumo não passava de miniatura de uma obra clássica do Direito.

A dificuldade da assimilação continuava. Qual o segredo para assimilar leituras jurídicas?

Por que não a assimilamos como guardamos uma conversa do dia-a-dia?

Ninguém sabe?

A pergunta voltava a me assolar. Algumas horas se passam e penso de novo. Nada.

Nenhuma ideia ainda.

Duas horas mais e o silêncio continuava. O mistério também.

De repente, minha consciência grita.

-Resuma com suas próprias palavras. A chave do segredo, pensei, estava na linguagem simples.

De fato, a linguagem do livro não coincide com a da fala cotidiana do homem. Este fala de um jeito e escreve de outro, sobretudo, no cenário jurídico. E tem mais.

A escrita do livro é “poluída” de palavras, não tem objetividade, dificultando o processo de assimilação cerebral.

Se o cérebro assimila facilmente a fala do dia-a-dia, basta então transformar o sofisticado palavreado jurídico na simplicidade da conversa do dia-a-dia.

Foi o que passei a fazer, dando início ao primeiro passo do método.

No livro de Processo Penal, por exemplo, o sumário de culpa é definido assim:

“É a primeira fase do procedimento escalonado do Tribunal do Júri, que medeia entre a publicação do despacho de recebimento da denúncia até a publicação da sentença de prolação da pronúncia”.

Na linguagem resumida passa a ser assim:

“Sumário de Culpa: é a fase que vai da denúncia à pronuncia”.

Note-se que, para fins de concurso, não houve perda da ideia central do assunto.

E assim, ao longo dos meus estudos, passei a resumir os livros com as minhas próprias palavras.

Todavia, quando me tornei professor de cursinho, após já ser, é claro, aprovado em vários concursos, passei a transmitir aos meus alunos a ideia acima. Mas, para minha surpresa, acabei deles ouvindo a seguinte advertência:

-Pois é, professor Flávio, somos gratos aos seus ensinamentos, mas nós não conseguimos resumir os livros com as nossas próprias palavras.

Essa observação me perseguiu, e graças a ela acabei desenvolvendo uma nova técnica de lecionar, que acabou resolvendo o problema deles, suprimindo do método a exigência dos resumos.

CAPÍTULO III

O MÉTODO FMB

I – Estudar priorizando as anotações de aula.

O método pedagógico aplicado no Curso FMB prioriza o estudo pelas anotações de aula. Para tanto, os professores ministram aulas de modo que os alunos possam anotá-las. Não se trata de um ditado, mas sim de uma explicação pausada.

A aula ditada é enfadonha, o aluno não a compreende, limitando-se a anotá-la mecanicamente.

A aula do Curso FMB é diferente, porque o aluno anota a explicação do professor, transcrevendo-a na íntegra e, ao mesmo tempo, consegue entendê-la.

É uma técnica inovadora. Não há nada igual ou parecido.

O aluno consegue registrar a aula por inteiro, e se por algum motivo não conseguir assisti a ela, basta se dirigir à secretaria do Curso FMB e receber a aula pronta, porque o FMB dispõe de anotadores de aula.

Prezado aluno, atente na seguinte observação:

“Fazer cursos preparatórios sem anotar as aulas equivale a não fazer”.

Não perca tempo. Não se iluda. Não confie apenas na audição.

O Curso FMB, porém, é democrático e, por isso, compactua com outras pedagogias eficientes, como a utilizada nos cursinhos preparatórios para vestibulares, que se valem de apostilas.

Com efeito, o Curso FMB é totalmente apostilado. E as apostilas, dotadas de conteúdo suficiente para a aprovação nos exames, têm uma linguagem acessível, sendo, pois, úteis na complementação dos estudos.

II – Forma de estudo.

O estudo deve ser feito com reflexão. Não adianta simplesmente ler a aula sem questionar o seu aproveitamento.

No método FMB, o aluno é orientado a fazer a leitura da aula e, em seguida, refletir sobre o que leu, passando na mente o conteúdo da aula lida. Não se trata de decorar a lição com as mesmas palavras, mas sim de passar na mente o resumo do conteúdo apreendido.

Essa passagem mental é essencial para a memorização da aula. É tão importante que deve ser feita duas vezes, sem olhar para as anotações.

Caso o aluno tenha dificuldade em mentalizar a aula, poderá sanar o problema mediante a formulação de perguntas por escrito sobre o assunto estudado, respondendo as mentalmente, aumentando, destarte, o seu potencial de concentração.

III – Forma de Revisão.

É fato que, após algumas semanas de estudo, a alegria do aluno se converterá em decepção, quando ele constatar que não se lembra de quase nada do que havia estudado anteriormente.

O tempo é amigo do esquecimento. Mas como separar esses dois parceiros? Como? Fazendo revisões semanais.

Sobre a necessidade das revisões, o método FMB radicaliza: elas devem ser semanais e acumuladas. Antes de estudar a nova aula, cabe ao aluno fazer a revisão das anteriores referentes à matéria em estudo.

O tempo de estudo deve ser dividido em duas partes. A primeira diz respeito à revisão das aulas anteriores. A segunda consiste no estudo da nova aula.

A revisão tem três características:

a) Velocidade: o aluno deve limitar-se a “bater o olho” por alguns segundos em cada página do caderno. Não se trata de uma leitura, e sim de uma “olhada” rememorizadora da passagem mental referida no item anterior sobre a forma de estudo.

b) Semanal: no horário de estudo reservado para determinada matéria, o aluno, semanalmente, fará a revisão das aulas anteriores atinentes a essa matéria.

c) Acumulada: a revisão deve compreender todas as aulas anteriores referentes à matéria em estudo.

Segue abaixo o quadro sinótico da organização do estudo:

C = E + M

(conhecimento é igual a entendimento mais memorização)

I – Estudar pelas anotações de aula.

II – Seguir o horário abaixo:

2ª FEIRA 3ª FEIRA 4ª FEIRA 5ª FEIRA 6ª FEIRA
Dir. Civil Penal Geral Dir. Tributário Proc. Penal Proc. Civil
Dir. Comercial Penal Especial Dir. Administrativo Dir. Previdenciário Constitucional
Dir. Consumidor Leg. Penal Especial Dir. do Trabalho Interesses difusos ECA

III – Forma de estudo (1/2 do tempo):

Ler a aula até mentalizá-la sem olhar para o caderno;

Formular perguntas, por escrito, em cada página, respondendo-as mentalmente.

IV – Forma de Revisão (1/2 do tempo): a) Veloz: 10 segundos por página, olhando para o caderno; b) Semanal: no horário de estudo; c) Acumulada: sempre voltando até a 1ª aula ou 4 aulas anteriores.

CAPÍTULO IV

O MÉTODO SOBRESSAI À INTELIGÊNCIA. A HISTÓRIA DE JORGE

Em qualquer setor do conhecimento o método é imprescindível. Uma pessoa que resolve estudar, por exemplo, violão ou piano de acordo com uma metodologia adequada, a partir de 1 ano, já poderá exibir os seus dotes artísticos e impressionar a sua plateia. Mas aquele que se propõe ao aprendizado desorganizado, sem nenhum critério, seguindo rumo próprio, depois de trinta anos ainda não terá atingido a destreza que o primeiro conquistou em apenas um ano. É claro que est amos falando de duas pessoas normais, porque o artista genial às vezes pode revelar-se também autodidata, aprendendo rapidamente um instrumento.

Essa comparação é válida para os concursandos. O que se prepara com método, a partir de alguns meses de estudo passa a reunir condições de aprovação. Em contrapartida, quem se dispõe ao estudo assistemático, desorganizado, sem rumo, depois de 30 anos, ainda não terá angariado conhecimento suficiente para transpor as portas de uma carreira jurídica.

De acordo com esta lógica, o método sobressai em importância à inteligência. Sobre isso não tenho a menor dúvida. De uma coisa estou convencido: a inteligência também se desenvolve.

Aliás, vale a pena abrir um parêntese para contar a história de um aluno, o Jorge, o nome é fictício, que não sabia o que era fato típico, mas atualmente é Juiz de direito na Comarca de São Paulo.

Ao término da aula, ele vinha todo tímido, meio sem jeito, tentar solucionar suas dúvidas. Numa dessas abordagens, ele me indagou em voz baixa:

-Professor Flávio, o que é fato típico? Depois de um breve silêncio, ele ainda prosseguiu:

-Eu não sei nada de Direito Penal, e, por isso, estou pensando em desistir. E o que dizer para consolar alguém que não sabe o que é fato típico?

Com muita paciência, expliquei a ele o que era fato típico, esclarecendo-o ainda sobre as dificuldades que nos rodeiam nessa fase da vida. Que ele deveria persistir, pois com o tempo tudo se tornaria mais fácil.

Jorge despediu-se agradecido. No íntimo, porém, eu pensei: “Este nunca irá ser aprovado na Magistratura ou em concurso algum”.

E, ao término das aulas, Jorge sempre me abordava com suas dúvidas “dificílimas”. Um dia ele me perguntou: Professor Flávio, o que é jurisdição?

Nunca perdi a paciência e sempre procurava responder valorizando a sua pergunta, disfarçando sobre o caráter pueril de suas indagações para não prejudicar sua autoestima.

Aquele ano findou. Jorge concluiu o curso anual e voltou para a cidade do interior, onde morava com os pais. Despediu-se de mim com gratidão, avisando que iria continuar estudando pela minha metodologia, hoje denominado método FMB, com a seguinte promessa:

– Um dia serei como o senhor, Juiz de Direito.

Dois anos se passaram. E, num belo dia, eu estava trabalhando no Fórum, quando uma de minhas secretárias anunciou a presença de um juiz substituto, que dizia ter sido meu aluno. Era o Jorge, magistrado recém-empossado, homem já renomado, lépido, que nem de longe fazia lembrar aquele bisonho aluno tímido do interior.

Conversamos algumas horas. Ele manuseou diversos processos, palpitando com lucidez muito superior à de outros juízes substitutos que haviam estagiado anteriormente comigo.

Desde então aprendi a não desmerecer ninguém. Qualquer pessoa pode passar em concurso, porque se hoje se encontra com o cérebro atrofiado, amanhã a transformação ocorrerá na perseverança dos estudos, operando-se a substituição do “homem velho” pelo “homem novo”.

CAPÍTULO V

PARA QUAL CONCURSO DEVO ESTUDAR?

Com muita frequência, os alunos me indagam se vale ou não a pena concentrar os estudos em apenas determinado concurso. À exceção de alguns casos, a resposta é sempre a mesma: “Não, não vale a pena.”

Há muito já me convenci disso.

Em primeiro lugar, quando se realiza a chama da “preparação geral”, amplia-se o rol dos concursos, “abre-se o leque”, como se diz na gíria popular.

Em segundo lugar, é muito alto o peso emocional de monopolizar os estudos rumo a determinado concurso. E, com isso, no dia do exame, da grande prova, o candidato pode “amarelar” ao deixar extravasar o seu nervosismo.

Em terceiro lugar, quando não se tem muito interesse por certa carreira, o aluno sente-se tranquilo, pois a aprovação lhe é indiferente, circunstância que lhe permite raciocinar de forma desestressada, ampliando as chances de êxito.

Por fim, a preparação específica para certo concurso, em regra, não dispensa uma preparação geral, porque é esta que lhe dará o alicerce básico para o entendimento das disciplinas especializadas.

Assim, a monopolização dos estudos para de terminado concurso só deve ser levada a efeito após uma preparação geral, abrangendo as matérias que, em geral, são comuns a todos os editais. As aludidas disciplinas são: Direito Civil, Direito Penal, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Tributário, Direito do Trabalho, Processo Civil, Processo Penal e Direito Comercial.

Sem desmerecer as outras disciplinas, certamente as citadas acima são as que compõem o cerne da maioria dos concursos.

Impossível preparar-se nessas matérias em tempo meteórico. Outras, porém, como Direito Ambiental, Direito Econômico, Direito Financeiro, Direito Agrário, Processo Tributário, Estatuto da Criança e do Adolescente, Direito do Consumidor, Direito Internacional, Legislação da Polícia, Legislação do Ensino, Processo do Trabalho etc. admitem uma preparação rápida de apenas algumas semanas, desde que, é claro, o aluno já tenha em mão o material adequado, isto é, na linguagem concisa e direta nos moldes do método FMB.

Excepcionalmente, porém, impõe-se uma preparação específica para determinado concurso. Tal ocorre quando o candidato está muito firme em seu propósito. Ex.: Juiz de Direito que resolve prestar concurso para Tabelião ou Oficial Registrador de Cartório. Outro exemplo: candidato que só pretende prestar para as carreiras trabalhistas ou para Delegado de Polícia.

No Curso FMB, os alunos são orientados a matricularem-se primeiro no curso anual ou curso semestral para, só depois, frequentarem os cursos específicos.

O aluno que já fez vários “cursinhos preparatórios” ainda deve frequentar outros cursos?

É muito comum dirigirem-se ao Curso FMB alunos veteranos de outros cursinhos preparatórios, que não aguentam mais assistir às aulas.

Eles sempre me indagam:

-Professor Flávio, eu devo continuar assistindo às aulas ou posso ficar só estudando?

De pronto, a minha primeira preocupação é a de saber se o aluno conseguia ou não anotar as aulas. Caso ele não tenha anotações, a resposta é uma só:

-Sim, você deve voltar a assistir às aulas. E, de agora em diante, irá anotá-las.

De fato, de uma coisa estou convencido: “Fazer cursinho preparatório sem anotar as aulas equivale anão fazer”. É perda de tempo!

Refiro-me à anotação com redação, sequência lógica de raciocínio, idêntica a um livro, diferindo apenas no estilo da linguagem; enquanto a do livro é prolixa, a do caderno é simples, facilitando a memorização.

E não adianta aquelas anotações de “ideias esparsas”, cheias de “flechinhas”, sem nexo de continuidade lógica.

Em contrapartida, o aluno que já frequentou “cursinhos preparatórios”, anotando adequadamente as aulas, possuindo um caderno com conteúdo suficiente para a aprovação, tem três opções:

1ª opção: Matricular-se num curso semestral ou Rotativo de Sábado, pois as novas aulas lhe servirão de revisão. Assistir a aulas também é uma forma de complementar os estudos. O grau de compreensão é muito maior quando se ouve novamente uma aula sobre um tema já estudado.

2ª opção: Matricular-se num curso

específico para as carreiras federais, trabalhistas, Cartório, Delegado Federal, Delegado Estadual ou Procuradoria, conforme o desejo do candidato.

É uma forma inteligente de ampliar o arsenal de estudo, municiando-se de outras disciplinas, ampliando o “leque” dos concursos.

3ª opção: Dedicar-se exclusivamente ao estudo do material já colhido. Esta alternativa é recomendada para os alunos “estressados” de tanto assistirem às aulas ou então que percorreram as duas primeiras etapas acima.

CAPÍTULO VI

EU NÃO TENHO TEMPO PARA ESTUDAR. A HISTÓRIA DE JONAS

Uma gama enorme de alunos consome a maior par te do tempo trabalhando em busca do sustento próprio e de seus familiares. Sem tempo para os estudos, eles me procuram na esperança de encontrarem a panaceia para os seus males.

Com muito carinho, de pronto, procuro atendê-los, salientando-lhes desde logo o seguinte:

– “É, sim, possível transpor as fronteiras do concurso, ainda que o tempo de estudo seja curto. Basta, para tanto, percorrer o caminho do método FMB”.

Alguns me perguntam se devem ou não abandonar o emprego e dedicar-se exclusivamente aos estudos.

No início, essa indagação me constrangia pelo fato de invadir a esfera particular do aluno, que me permitia conhecer o lado pessoal da sua vida.

Com o transcorrer dos anos, porém, acabei me acostumando com esse tipo de pergunta e a tratar qualquer aluno como um velho amigo.

Aliás, como se diz no budismo, cultivar a intimidade e proximidade dos outros coloca prontamente o espírito à vontade. É a maior fonte de bem-aventurança na vida.

Grosso modo, para melhor orientar aqueles que me procuram, tomo por base a seguinte premissa: “qualquer coisa que contradiga a experiência e a lógica deve ser abandonada”.

Dificilmente aconselho alguém a exonerar-se do emprego, salvo se este for altamente prejudicial levando-se em conta as peculiaridades de cada pessoa.

Lembro-me, de um aluno cujo pai gozava de excelente situação financeira e, além disso, era muito generoso: pretendia que o filho se dedicasse exclusivamente aos estudos, que ele bancaria de bom grado. O rapaz me procurou para ajudá-lo a decidir. Eu não tive dúvidas, dizendo-lhe:

– Rapaz, deixe o orgulho de lado e faça a vontade do seu genitor, que, por sinal também é a sua.

Ele me ouviu e passou a estudar com afinco, obtendo aprovação em um cargo cujo salário era sete vezes superior ao do emprego que ele relutava em abandonar.

Às vezes nos apegamos a certas coisas de maneira excessiva e não nos damos conta de que nos prendendo a elas estamos retardando as nossas vidas.

Desde que o aluno tenha uma reserva financeira ou familiares para garantir o seu sustento, creio que valha a pena arriscar-se, optando pela exoneração do trabalho.

Como nos adverte o Dalai Lama:

“Faça um esforço para considerar como coisas transitórias todas as circunstâncias adversas e inquietações. Como ondulações na água de um lago, elas surgem e logo desaparecem.

À medida que nossas vidas são carmicamente condicionadas, caracterizam-se por infindáveis ciclos de problemas. Um problema aparece e passa e logo em seguida surge outro”.

Basicamente, o problema da falta de tempo para os estudos é passageiro, desde que o aluno aceite a ideia de estudar em dois tempos: o da colheita do material e o da assimilação deste.

Com efeito, num primeiro momento, o aluno colherá o material de estudos, matriculando-se num curso anual noturno. Caso o seu trabalho estenda-se ao período noturno, poderá frequentar o curso anual aos sábados.

Após o término do curso, isto é, no ano seguinte, deverá dedicar-se ao estudo desse material, visando assimilá-lo, no mesmo horário em que no ano anterior fazia o curso, elaborando uma grade fixa e rígida, contendo todas as matérias.

Assim, no primeiro ano, colhe-se o material; no segundo, assimila-se este material. Certos alunos, contudo, não trabalham à noite. Nesse caso, o estudo pode realizar-se num único tempo.

Colhe-se o material no curso anual noturno e elabora-se o horário de estudo aos sábados e domingos.

É isso aí, quem sabe faz a hora, não espera acontecer, como dizia o nosso Geraldo Vandré.

Lembro-me de que, tão logo desenvolvi o método, antes mesmo de ser aprovado em concurso, passei a divulgá-lo a outros estudantes. Alguns torceram o nariz, outros me seguiram.

Um desses meus seguidores era um senhor de cabelos grisalhos, que já estava chegando à casa dos quarenta janeiros. Era bancário, casado e ainda tinha um filho de três anos, que atrapalhava sobremaneira os seus estudos, reclamando constantemente a sua presença. Além disso, sua mulher ainda estava grávida, e poucos meses depois nasceu uma menina linda, mas que chorava a noite toda, provocando ainda o ciúme do pequerrucho.

Jonas, assim irei chamá-lo neste livro, tornou-se meu amigo. Pegávamos o metrô todos os dias, após o término das aulas. E assim nasceu uma grande amizade.

Ele se formara havia dez anos e, desde então, não abrira nenhum livro jurídico. Não sabia absoluta mente nada. Frequentava o cursinho, mas não entendia as aulas.

Numa de nossas conversas, eu o aconselhei:

-Jonas, passe a anotar as aulas.

-Mas, Flávio, eu não consigo. Os professores falam muito rápido. Ou eu anoto ou presto atenção. As duas coisas não dá!

E então eu lhe redargui:

-Jonas, é melhor anotar as aulas sem entender do que entender sem anotá-las, pois, ao anotá-las, conseguirá compreendê-las por ocasião de seus estudos. Em contrapartida, caso não as anote, obterá, no máximo, um entendimento fugaz, que, em poucos dias, rumará ao esquecimento.

-Tá bom, Flávio. Você me convenceu.

-É isso aí, Jonas.

Ele seguiu à risca o meu conselho, passando a anotar as aulas com bastante dificuldade. Não só pela falta de base que lhe era peculiar, como também pela didática dos mestres daquela época, que ministravam aulas discursivas. Para anotá-las era “um-deus-nos acuda”, um verdadeiro “samba-de-crioulo doido”. Bem diferente das aulas compassadas e plenamente anotáveis ministradas, hoje, de acordo com o método FMB.

Com muito sacrifício, Jonas trabalhava durante o dia, frequentava o curso à noite e ainda estudava aos sábados e domingos, com o método que eu lhe havia passado.

Logo eu fui aprovado no concurso. Despedi-me de Jonas e de sua mulher, que me desejaram boa sorte.

Antes de partir, e de abraçá-los, ainda falei:

-Jonas insista no método. Se funcionou comigo também funcionará com você.

No fundo, porém, eu não botava muita fé em Jonas. Seu raciocínio era ainda muito lento. Faltava-lhe o alicerce jurídico, ele não conhecia os princípios básicos. E, além disso, não tinha muito tempo para os estudos. Não obstante o apoio da esposa, as crianças requeriam a sua presença, incomodando-o nas horas de estudo, quebrando-lhe a concentração.

Mas Jonas era teimoso, persistente e ambicioso. Prosseguiu nos estudos, aplicando o então novato método FMB.

E não deu outra! Dois anos depois, ele estava na lista dos cinco primeiros colocados da Magistratura de São Paulo.

Quando vi o resultado, tomei um susto danado, sobretudo ao ver a sua colocação.

Telefonei-lhe, dando os parabéns, regozijando-me pelo seu sucesso, que, sem dúvida, contou com um aliado imprescindível, que é o método FMB.

CAPÍTULO VII

OS INVEJOSOS. A HISTÓRIA DE TÍCIA

A inveja é um vício que ainda acomete a maioria dos seres humanos. Trata-se de uma das formas de manifestação do egoísmo. Quem pensa excessivamente em si próprio é portador dessa moléstia espiritual, e, por isso, acaba sendo incomodado pelo sucesso alheio.

“Ad cautelam”, é sempre bom evitar narrativas de exaltação do “eu”, abstendo-se ainda de vangloriar-se sobre a proximidade da aprovação em concurso, pois o “olho gordo” pode vir do amigo próximo e quem sabe até de algum parente. A humildade é a blindagem contra a sombra dos invejosos, neutralizando seus venenos. Ainda que o aluno esteja bem preparado, à beira da aprovação, não deve alardear isso aos quatro ventos. A modéstia, conquanto falsa, é melhor do que a pedante ostentação.

Certa vez uma aluna chamada Tícia, o nome é fictício, narrou-me o seguinte fato:

-Professor Flávio, estou pensando em desistir dos estudos. Não aguento mais a pressão dos meus familiares. Eles me cobram demais. A cada concurso em que sou reprovada, sou questionada pelo meu irmão mais velho. Com palavras ríspidas, ele me disse outro dia:

-Não passou? É melhor você arrumar um em prego! Até quando vai ficar só estudando?! Tícia estava tão desanimada que procurou até um psiquiatra. O médico receitou-lhe antidepressivos.

Narrou-me que estudava em tempo integral havia três anos. Sua metodologia, porém, para variar, era totalmente equivocada.

Ela pegava os livros e saía lendo.

Expliquei-lhe o método FMB. Ela chorou pelo tempo perdido, de cair lágrimas! “Por que ninguém me disse isso antes?”, perguntou-me revoltada.

Esbocei-lhe um plano de estudo, que ela prometeu seguir à risca.

Sobre o problema com seu irmão mais velho, que torcia contra a sua aprovação e tumultuava seu ambiente de estudo, ela me confidenciou a reciprocidade das alfinetadas, que era “chumbo trocado”.

Para humilhá-lo, em retorsão às ofensas, Tícia bus cava vangloriar-se:

– Já, já eu vou ser juíza! Você nem formado é! E a cada dia exaltavam-se os ânimos. A desavença era antiga. No fundo, porém, percebi que ela o amava. No íntimo, eu pensava:

-O que fazer para mudar o clima entre os dois?

Não devemos bater à porta de nossos inimigos para pedir perdão, pois esse gesto pode humilhá-los na medida em que nos coloca na posição de “bons”.

O melhor caminho, pensei, é exercitar a nossa paciência, rebatendo as ofensas sem que o revide represente uma nova agressão.

Dizem que a violência se alastra pelo mundo. Mas, na verdade, ela começa em cada um de nós.

Com palavras similares a essa, procurei mudar o espírito de Tícia, desarmá-la das investidas do irmão, acreditando que pouco a pouco tudo iria melhorar.

Também a aconselhei à prática do combate ao ego. Em casa, desde então, o autoelogio foi substituído por uma sucessão de queixas, do tipo:

-Sou uma burra! Nunca irei passar no concurso! Vou desistir! Exteriormente, porém, continuava estudando com afinco, e, intimamente, ela confiava na sua aprovação.

O irmão mais velho passou a consolá-la, levando-lhe palavras de conforto e autoestima. Passou a aconselhá-la a não desistir, pois logo a aprovação viria. Enfim, tornaram-se grandes amigos.

Com a melhoria do clima e a aplicação do método FMB, a aprovação era questão de tempo. E não deu outra: oito meses depois já estava aprovada no Concurso.

Ainda veio visitar-me no Curso FMB para entregar o convite de sua posse, e na ocasião fez-se acompanhada de um quarentão bem-humorado, era o seu irmão mais velho, que já havia abandonado o seu antigo lado carrancudo.

CAPÍTULO VIII

OAB – FINALMENTE, EU PASSEI!

No meio de uma multidão que circulava no metrô São Bento, no centro de São Paulo, Robson parou involuntariamente, coisas do destino, ao avistar uma moça com a camisa do Curso FMB.

__ Método Revolucionário! ___ gritou. Explique-me isso direito!

__ Permita-me que lhe ofereça este livro. __ Você é muito gentil ___ disse Robson.

__ Leia com atenção. Se o senhor se interessar em concursos jurídicos ou exame para a OAB, respondeu delicadamente a moça, dirija-se ao Curso FMB.

__ Curso FMB? Onde fica?

__ No Edifício Mirante do Vale, o prédio mais alto de São Paulo, e também na Av. Paulista, nº 949.

Alguns dias depois, Robson compareceu ao Curso FMB, matriculando-se no intensivo para a OAB, convencido da eficiência do método revolucionário, cujo teor havia sido retratado no livreto que ganhara no metrô São Bento.

Durante vários anos ele havia estudado para o exame da Ordem, frequentando outros cursos preparatórios. Evidentemente, não conhecia o método FMB, e, por isso, o seu estudo seguia sem norte, feito um avião que perdera a rota.

Robson estava prestes a parar. Desanimado, reencontrou-se com a esperança a partir do encontro havido naquela manhã no metrô São Bento.

Como aluno do Curso FMB, foi orientado a anotar as aulas, tornando-se, pois, um exímio anotador.

No FMB, aprendeu a elaborar um horário de estudo, semanal e fixo, estudando duas matérias por dia.

Foi no FMB que Robson iniciou o estudo com reflexão, lendo as aulas e rememorizando-as mentalmente, seguindo a técnica de memorização desenvolvida pelo professor Flávio Monteiro de Barros.

E, ainda no FMB, Robson foi convencido a fazer revisão semanal e acumulada das aulas anteriormente estudadas, desenvolvendo assim a memória em larga escala.

Nas cabines de estudo do Curso FMB, Robson se embrenhava, após as aulas, estudando 4 (quatro) horas por dia, aplicando, na íntegra, o método FMB.

A recompensa, porém, não tardou a chegar. Na 1ª fase da OAB, Robson atingiu uma pontuação estupenda: 92% da prova. E isso, depois de apenas dois meses de estudos com o novo método!

Loucura, loucura, dizia-lhe o coração. Era inconcebível, pensava, que tivesse frequentado tantos outros cursos, por anos a fio, sem ter descoberto o oásis jurídico.

Na preparação para a 2ª fase, não hesitou em matricular-se novamente no Curso FMB. Faltava pouco mais de um mês, por isso os preparativos exigiam estudo com afinco.

Mas no FMB aprendeu a aprimorar-se na desenvoltura da língua portuguesa, recebendo dos professores a devida atenção, inclusive com correção de peças práticas.

Foi confiante para a 2ª fase da OAB, acertando a peça prática e as questões.

Passou-se pouco tempo e logo o resultado foi divulgado.

Sim, Robson caíra de joelhos e levantou as mãos para o céu, dizendo:

__ Obrigado, Senhor, obrigado!

Ele repetiu isso várias vezes. Com três meses de estudo, já estava aprovado no exame da OAB.

Aliviado, Robson buscou o reencontro com aquela moça do metrô São Bento.

Em vão, porém, foi a sua busca. Por mais que ele a descrevesse, ninguém a conhecia.

Ao contrário do que ele pensava, o Curso FMB não continha nenhuma funcionária com a descrição física por ele fornecida.

Ele voltou-se para si mesmo e, por um segundo, teve a impressão de vê-la ao mirar seus olhos para a imagem de Nossa Senhora da Igreja do Largo Paissandu.

Seria realmente aquela moça uma aparição?

Como bem observa o médium Francisco Candido Xavier, na obra Sinal Verde, de André Luís:

“Antes das suas dificuldades de agora, você já enfrentou inúmeras outras e já se livrou de todas elas, com o auxílio invisível de Deus”.

Seis meses depois, ou talvez mais cedo, Robson finalmente encontrou-se com aquela moça, que, portanto, não era uma miragem, mas com certeza uma santa para ele.

Ele, todo elegante, de terno e gravata, no corredor do fórum deparou com ela, uma juíza substituta, que, ao vê-lo, esboçou um sorriso, cumprimentou-o e disse:

__ Te conheço de algum lugar?

__ Sim, a senhora entregou-me um livreto sobre o método revolucionário FMB, no metrô São Bento.

__ Ah! Me lembro. Você estava meio transtornado naquele dia. Comigo, o FMB foi excelente. Graças a este método é que sou juíza.

__ Comigo também, graças ao FMB e à senhora é que hoje sou advogado.

__ Fico feliz em ter dado tudo certo. __ disse-lhe a juíza.

E os dois então se despediram.

Ele com o olhar ternamente agradecido.